#: locale=pt-PT ## Tour ### Description ### Title tour.name = Sala 2 ## Skin ### Multiline Text HTMLText_06EAC184_15CC_CEB5_4184_C767A605A808.html =
A Sacristia é historicamente considerada como um dos anexos mais importantes dos templos cristãos. No caso específico da Igreja da Misericórdia, a sacristia era o local onde os capelães da Instituição vestiam os seus paramentos e se preparavam, material e espiritualmente, para os atos litúrgicos.
A paramentaria, da qual ainda hoje se conservam excelentes exemplares das centúrias de setecentos e oitocentos, foi sendo preservada no interior do majestoso arcaz que podemos observar nesta sala expositiva.
Para além dos paramentos, da sacristia faziam ainda parte outros elementos indispensáveis como as alfaias litúrgicas e outros objetos de culto, o espelho, a pia de mármore ou os livros litúrgicos e sagrados.
A presença nesta sala expositiva da figura de São Tomás de Aquino, padroeiro da educação, das universidades e das escolas católicas, tem igualmente o intuito de homenagear os milhares de registos manuscritos e/ou impressos que fazem parte do valiosíssimo Arquivo Histórico da Misericórdia de Évora.
A Sacristia da Igreja da Misericórdia de Évora encontrava-se, pelo menos desde meados do Século XVIII, na atual “Sala das Pinturas” do Núcleo Museológico.
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O cofre representa neste núcleo museológico, simbolicamente, o tesouro da Misericórdia. A riqueza aqui invocada não está necessariamente ligada ao valor material, mas, preferencialmente, ao valor simbólico, intangível ou imaterial das peças aqui expostas.
A única peça exposta em permanência nesta sala será o grande crucifixo em prata, que simboliza na tradição cristã a veneração e o sofrimento de Jesus Cristo, devendo aqui representar igualmente a ação de todos os provedores da Misericórdia de Évora, das respetivas Mesas Administrativas e de toda a Irmandade em ultrapassar, voluntariamente, todas as adversidades que lhe foram sendo colocadas ao longo dos séculos. Esses sacrifícios, a favor de terceiros (os mais necessitados) devem ser encarados como uma forma de veneração a Jesus Cristo, de temor a Deus e de reprodução dos ideais ensinados pela doutrina cristã (manifestado através da assistência), colocando-os à disposição da humanidade e do auxílio ao próximo.
As restantes peças aqui divulgadas, apesar de toda a relevância e acuidade que merecem, ficarão no cofre por um período limitado, e temporalmente definido, de forma a garantir, em primeira instância, a sua integridade e conservação preventiva. A rotatividade de peças terá ainda o objetivo simbólico de representar a efemeridade, a adaptabilidade constante e a necessidade permanente de readaptação da Instituição às novas realidades e conjunturas.
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Cristo Crucificado
Escultura, 1802


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São Tomás de Aquino e Santos
Pintura, Séc. XVII


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Arcaz
Mobiliário, 1784


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São Tomás de Aquino e Anjos
Pintura, Séc. XVIII


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Sagrada Família com Santa Isabel, São João e Anjo
Pintura, Séc. XVII


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Pintura, Séc. XVII
Óleo Sobre Tela.



Nesta tela encontramos uma representação de São Tomás de Aquino, sentado a uma mesa, onde escreve, com a proteção e a inspiração do Espírito Santo (que nos surge sob a forma de pomba).
São Tomás de Aquino está vestido com o hábito dominicano, coberto parcialmente com uma cinta de pedras preciosas (símbolo da castidade) que contempla ainda, ao centro, um disco solar.
A cadeira onde se senta, tem um encosto de couro com pregaria robusta, ao fundo, desdobra-se uma cortina de pregas largas. Na mão direita, São Tomás de Aquino segura uma pena, preparando-se para escrever no livro que prende delicadamente com a sua mão esquerda. O livro, por sua vez, encontra-se sob uma mesa de tecido aveludado, onde, para além deste objeto, é representado um tinteiro e uma pena suplementar.
No motivo, sobressai ainda uma moldura em arco onde se simula uma teia em metal, com flores entrelaçadas.
Por último, superiormente, e dentro de pequenos rectângulos separados por divisórias, encontramos as representações de um Santo Bispo, de São João Evangelista, da Virgem com o Menino, de São João Baptista e de Santa Catarina de Sena.


Teólogo italiano e Doutor da Igreja, Tomás de Aquino é assim designado por ser natural da pequena cidade italiana de Aquino, onde nasceu em 1225. Estudou na Universidade de Nápoles e aos 19 anos ingressou na ordem dominicana. Em 1245 vai para Paris e torna-se aluno do filósofo Alberto Magno, seguindo com ele para Colónia, em 1248, onde o seu mestre é incumbido de fundar uma universidade. Em 1250 é ordenado padre e em 1252 começa a ensinar na Universidade de Paris.
Em 1256 termina o doutoramento em Teologia e, três anos depois, é convidado pelo papa Alexandre IV para exercer as funções de conselheiro e mestre na corte papal. Só regressaria a Paris em 1268, onde então se desenvolvia uma controvérsia teológica nos círculos intelectuais sobre a natureza do homem e a relação da fé com a razão. É nesse contexto que afirma a autonomia da razão na sua ordem e defende que as verdades de fé são compatíveis com as verdades da ciência. Para São Tomás de Aquino a fé constrói-se como um saber.
Faleceu no dia 7 de março de 1274, na abadia cisterciense de Fossanova. É canonizado pelo papa João XXII em 1323 e proclamado doutor da Igreja pelo papa Pio V em 1567. Mais tarde, em 1880, é transformado em patrono das universidades, academias, colégios e escolas católicas por Leão XIII.
Ao longo dos séculos, foi representado em pinturas de grandes nomes como Fra Angelico ou Rafael.


Dos livros litúrgicos ao Arquivo da Misericórdia: um vasto manancial de conhecimento


A presença das pinturas de São Tomás de Aquino, o padroeiro dos estudantes, dos académicos e das escolas católicas, simboliza, no contexto da História da Misericórdia, a erudição, o conhecimento e sapiência dos capelães da Misericórdia e de todos aqueles que, por via da sua inteligência, compreensão e vocação, se dedicaram à propagação da palavra e do conhecimento.
Os livros que sempre surgem associados às representações de São Tomás de Aquino podem ainda ser associados, ao valiosíssimo acervo histórico da Misericórdia (anteriormente designado como cartório) que contempla milhares de espécimes de elevada qualidade.
Este acervo, que ocupa um total de 94 metros lineares e integra documentação produzida entre 1331 e 1969, encontra-se à guarda do Arquivo Distrital de Évora, local onde, os investigadores, os irmãos e todos os curiosos, podem livremente aceder ao seu conteúdo.
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São Tomás de Aquino e Santos
Pintura, Séc. XVII


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São Tomás de Aquino e Anjos
Pintura, Séc. XVIII


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Cristo Crucificado
Escultura, 1802


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Sagrada Família com Santa Isabel, São João e Anjo
Pintura, Séc. XVII


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Pintura, Séc. XVII
Óleo Sobre Tela



A Virgem Maria, com o Menino ao colo, São José e Isabel, estão reunidos num bosque paradisíaco, repleto de árvores de fruto e flores de variadas tonalidades, preparando-se para uma pequena refeição.
Um anjo, ajoelhado e representado no canto inferior direito da imagem, auxilia a Virgem, segurando um prato de ouro, do qual Maria, utilizando uma colher de prata, serve a sopa ao Menino Jesus que surge representado de pé, sustentado pelas pernas da própria Virgem.
Atrás, surge-nos representada igualmente de pé, coberta por um manto vermelho e com um pássaro na mão, a figura de João Baptista.


A representação da Sagrada Família com Santa Isabel e São João Batista é um tema recorrente em composições pictóricas de cariz religioso, sendo especialmente famosa a obra que o pintor flamengo Rubens assinou, cerca de 1615, com essa temática e num estilo marcadamente barroco.
Em Portugal, com essa temática, é muito conhecida a obra de 1678, da autoria de Josefa de Óbidos, adquirida em 2016 pelo Museu da Misericórdia do Porto. Do mesmo período e temática é a obra de Bento Coelho da Silveira, pertencente à coleção do Museu Nacional Machado de Castro.
No plano religioso “Sagrada Família” é o termo normalmente utilizado para designar a família de Jesus de Nazaré, composta por José, Maria e Jesus.
Na maior parte das composições artísticas, a Sagrada Família, que representa o amor, a veneração e o respeito mútuo que deve reinar entre componentes de um mesmo agregado, apresenta ainda uma série de símbolos “escondidos” que poderemos identificar na pintura aqui exposta.
O véu branco da Virgem é sinal de pureza e de virgindade, o manto azul que a cobre, representa a proteção celeste e a túnica vermelha (que envolve Jesus), simboliza as mulheres da Palestina que tinham o privilégio de ser mães. A indumentária de Maria, representava assim, simbolicamente “Virgem e Mãe”. Por último, a túnica branca do Menino, que aqui representa a pureza do coração das crianças e a santidade de Jesus Cristo.


A Misericórdia – A única família para aqueles que já não a tinham


A Santa Casa da Misericórdia de Évora, através do desenvolvimento das suas práticas assistenciais e/ou de culto, tem funcionado por inúmeras vezes ao longo da sua História, como a única família daqueles que de forma natural, prematura, desafortunada ou por incúria, perderam, repentinamente, os seus entes mais próximos.
Para esses, dos quais podemos destacar, por exemplo, os viúvos, os órfãos, os presos, os indigentes, os doentes ou os inaptos para o trabalho, a Misericórdia foi a “família” que os acolheu debaixo de um teto; que os abrigou das intempéries; que lhes saciou a sede e a fome; que os vestiu quando nada tinham para vestir; que lhe deu esmolas para aquisição dos bens mais essenciais para a sua sobrevivência; que os abençoou espiritualmente, quando a Fé era a única força a que poderiam recorrer; e que, acima de tudo, como sinal de amor fraterno, lhes estendeu a mão quando, e sempre, que precisaram.
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Sagrada Família com Santa Isabel, São João e Anjo
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Arcaz
Mobiliário, 1784


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Pintura, Séc. XVIII
Óleo Sobre Tela.


Neste quadro, São Tomás de Aquino é representado à esquerda, de joelhos, orando e erguendo as mãos ao Céu, estando à sua frente (no lado inferior direito da tela) a figura de um anjo.
Sobre estes, encontram-se uma corte de anjos músicos e surge em evidência uma custódia de ouro, da qual emana uma intensa luz espiritual.
Na filactera, ao centro da tela, podemos ler a seguinte inscrição BENE SCRIPSIST DE ME THOMAS.


Teólogo italiano e Doutor da Igreja, Tomás de Aquino é assim designado por ser natural da pequena cidade italiana de Aquino, onde nasceu em 1225. Estudou na Universidade de Nápoles e aos 19 anos ingressou na ordem dominicana. Em 1245 vai para Paris e torna-se aluno do filósofo Alberto Magno, seguindo com ele para Colónia, em 1248, onde o seu mestre é incumbido de fundar uma universidade. Em 1250 é ordenado padre e em 1252 começa a ensinar na Universidade de Paris.
Em 1256 termina o doutoramento em Teologia e, três anos depois, é convidado pelo papa Alexandre IV para exercer as funções de conselheiro e mestre na corte papal. Só regressaria a Paris em 1268, onde então se desenvolvia uma controvérsia teológica nos círculos intelectuais sobre a natureza do homem e a relação da fé com a razão. É nesse contexto que afirma a autonomia da razão na sua ordem e defende que as verdades de fé são compatíveis com as verdades da experiência sensorial. Para São Tomás de Aquino a fé constrói-se como um saber.
Faleceu no dia 7 de março de 1274, na abadia cisterciense de Fossanova. É canonizado pelo papa João XXII em 1323 e proclamado doutor da Igreja pelo papa Pio V em 1567. Mais tarde, em 1880, é transformado em patrono das universidades, academias, colégios e escolas católicas por Leão XIII.
Ao longo dos séculos, foi representado em pinturas de grandes nomes como Fra Angelico ou Rafael.


Dos livros litúrgicos ao Arquivo da Misericórdia: um vasto manancial de conhecimento


A presença das pinturas de São Tomás de Aquino, o padroeiro dos estudantes, dos académicos e das escolas católicas, simboliza, no contexto da História da Misericórdia, a erudição, o conhecimento e sapiência dos capelães da Misericórdia e de todos aqueles que, por via da sua inteligência, compreensão e vocação, se dedicaram à propagação da palavra e do conhecimento.
Os livros que sempre surgem associados às representações de São Tomás de Aquino podem ainda ser associados, ao valiosíssimo acervo histórico da Misericórdia (anteriormente designado como cartório) que contempla milhares de espécimes de elevada qualidade.
Este acervo, que ocupa um total de 94 metros lineares e integra documentação produzida entre 1331 e 1969, encontra-se à guarda do Arquivo Distrital de Évora, local onde, os investigadores, os irmãos e todos os curiosos, podem livremente aceder ao seu conteúdo.
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São Tomás de Aquino e Anjos
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Mobiliário, 1784
Madeira entalhada e envernizada
Teia, ferro fundido e vidro



Arcaz de madeira, embutido, constituído por dois corpos de gavetas com três unidades cada e por pequenos armários laterais, com tampo livre, protegido por espaldar.
As gavetas são adornadas por um friso em meia cava, de cantos curvilíneos, com uma almofada saliente, dois puxadores e fechadura (em ferro forjado), onde se representa o baptismo de Jesus Cristo.
O espaldar, por sua vez, é composto por seis painéis com almofadas salientes (curvas e contracurvas) independentes, que se encontram divididas por pilastras, coroadas com urnas.
No centro do espaldar ergue-se uma maquineta, com porta envidraçada, pilastras oblíquas nas laterais e frontão contracurvado, coroado com concheados rococó.


Os arcazes, também conhecidos nalgumas fontes históricas, como “almários” (ou armários), “caixões” ou, simplesmente, como “arcas”, eram móveis de Sacristia, normalmente de grande extensão, compostos por gavetões, de dimensões igualmente significativas.
Devido à sua volumetria e às suas características funcionais, os arcazes encontravam-se, normalmente, encostados à parede (ou paredes) mais compridas da Sacristia, ali permanecendo, inamovíveis, durante décadas ou mesmo séculos.
A sua principal funcionalidade era a de armazenar, nos gavetões, os paramentos, habitualmente estendidos, para preservar as suas formas e todos os elementos e adornos que os compunham.
Será importante referir que vestes sacras, como as dalmáticas, as casulas, ou os pluviais, são, nalguns casos, peças de enorme recorte técnico e de minucioso trabalho têxtil, pelo que, é de todo conveniente evitar a dobragem.


O Arcaz – símbolo da Sacristia, da Paramentaria e dos Capelães


O arcaz que aqui admiramos foi produzido durante o ano económico de 1783-1784, por ordem da Mesa Administrativa da altura, e sob a supervisão do tesoureiro da Misericórdia, que registaria todas as despesas expendidas com a sua feitura.
A voluptuosidade e funcionalidade do arcaz, fazem dele um dos maiores símbolos da Sacristia, da paramentaria, de uso dos capelães, e consequentemente, do próprio culto religioso associado à Igreja da Misericórdia de Évora.
Era no arcaz que eram guardados e preservados os paramentos utilizados pelos capelães da Misericórdia nos mais diversos serviços litúrgicos realizados dentro e fora do templo (missas, funerais, procissões, visita a doentes e presos, etc.)
O Arcaz representa assim a vida, obra e preparação dos capelães da Misericórdia, a importância da sua missão e a relevância que o “espaço sacristia” sempre assumiu na Igreja das Misericórdias.
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Arcaz
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Escultura, 1802


Imagem de Cristo Crucificado em madeira de casquinha, entalhada e policromada, representado com a cabeça elevada em direção ao alto, com o tronco parcialmente coberto e com os pés sobrepostos e fixos com um só prego.
A cruz, que suporta a imagem, foi produzida em pau-santo e possui embutidos fitomórficos em madeira exótica, encontrando-se decorada com cabochões dourados.
A peanha, igualmente concebida em casquinha, entalhada e policromada, ostenta quatro pés em forma de sapata, com aletas em “S” e surge decorada com “fingidos”, imitando o lápis lazúli.
A tabela de prata, fixada por espigão, possui um perímetro recortado, acompanhado por uma moldura de concheados e grinaldas de folhas e flores. No interior, as iniciais INRI, são relevadas e separadas por meias-esferas.
A coroa de espinhos do Cristo é de estanho que, graças à técnica utilizada na fundição e modelagem, assumiu a forma entrelaçada.


O crucifixo é a Cruz de Cristo, a cruz com a qual foi crucificado, e que por esse motivo se tornaria, na tradição cristã, no principal símbolo de veneração do sacrifício de Jesus Cristo.
O crucifixo, também denominado de Cruz Episcopal, ostenta as formas de uma cruz latina, surgindo quase sempre com a inscrição I.N.R.I (Ienus Nazarenus Rex Iudaeorum - Jesus de Nazaré Rei dos Judeus) na parte superior da cruz, acima da cabeça de Jesus Cristo.
No cristianismo e no catolicismo, o uso do crucifixo é muito frequente nas igrejas, estando particularmente destacada nos altares, onde mantém viva a lembrança do sacrifício que Jesus fez pelos seus fiéis.


As encomendas de Obras de Arte – um procedimento constante na História da Misericórdia


O crucifixo que aqui se expõe na maquineta do arcaz, foi produzido no ano-económico de 1801-1802, depois de ter sido encomendado pela Mesa Administrativa da altura.
Este procedimento, bastante comum na História da Misericórdia, e utilizado sempre que a necessidade assim o exigia, consistia na encomendação de uma obra de arte, neste caso uma escultura, a um profissional contratualizado especificamente para a conceber.
Na maior parte dos casos, a encomenda era precedida de um contrato ou, pelo menos, de uma orientação detalhada, onde ficavam explícitas as intenções dos encomendadores, bem como as características e natureza das peças que se pretendiam adquirir.
Depois da obra estar finalizada, ao tesoureiro da Mesa Administrativa competia, para além de registar a despesa com a mesma, identificar, o mais detalhadamente possível, os seus atributos e o local da sua aplicação. A título de exemplo, apresentaremos o caso deste crucifixo: “Imagem nova do Santo Cristo, com resplendor, título e cravos de prata para a sacristia” (Livro das Obras (1766-1831).
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Cristo Crucificado
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São Tomás de Aquino e Santos
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A Santa Casa da Misericórdia de Évora foi contemplada com a oferta, por parte de uma doadora, de uma generosa coleção de registos e algumas peças de arte, como uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, um pequeno crucifixo em marfim ou uma imagem do Menino Jesus Salvador do Mundo.
A doadora, D. Feverónia do Carmo Pardal, é filha de um antigo e conceituado antiquário de Évora chamado Francisco do Carmo . A distinta senhora, ao longo da sua vida, dedicou-se ao restauro (ou à reprodução integral mas fidedigna) de antigos registos que o pai Ia adquirindo ou que provinham de algumas encomendas particulares. A D. Feverónia dedicou-se de tal forma a esta “arte” que fez questão de utilizar sempre os materiais originalmente utilizados nas peças, conservando em sua posse ainda alguns deles. A coleção de presépios é igualmente da sua autoria, criação e inspiração.



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Coleção de Registos e de Presépios
(Corredor de acesso à Sala do Culto)
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